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Rede Cidade Digital - O governo descobre a mobilidade - Parte 2
O governo descobre a mobilidade - Parte 2

12/09/2013 17:50h

O governo descobre a mobilidade - Parte 2

O M-Gov começa a ser visto como um eficiente canal de comunicação pelo governo para atender os cidadãos e melhorar os serviços. Por Wanise Ferreira, redatora da Wireless Mundi

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No Rio Grande do Sul a mobilidade já tem um certo status há algum tempo. “Nossa orientação é que todos os nossos desenvolvimentos sejam dirigidos principalmente para dispositivos móveis”, afirma Carlson Aquistapasse, presidente da Procergs (Companhia de Processamento de Dados do Rio Grande do Sul). Com isso, ele adota o conceito mobile first que prevê que se comece a planejar e desenvolver projetos web, dos menores até aos mais elaborados sistemas, em primeiro lugar para os celulares móveis e, depois, para desktops e notebooks.

Como parte dessa filosofia, a Procergs também está testando novas plataformas e dispositivos. No segundo semestre, por exemplo, é a vez de realizar trials com terminais com a tecnologia NFC. Também está no alvo da empresa pensar em como poderá aplicar, em suas soluções, QR Codes, código 2D que pode ser escaneado pela maior parte de celulares com câmeras fotográficas.

A Procergs atingiu sua meta de levar 30 serviços para o RS Móvel, portal que cumpre a função de aglutinador de informações e serviços públicos. Com aproximadamente 15 mil acessos mensais, ele permite acesso a dados mais variados, como informações relativas à agricultura, ao trânsito, à água e saneamento, à assistência farmacêutica, entre outros. A nova meta é conseguir incluir mensalmente até 20 novos serviços governamentais.

Aplicações em saúde 

A saúde, uma das áreas mais sensíveis e cujo déficit é um dos mais difíceis de ser pago, também tem chances de ganhar com a inclusão digital móvel. “Estamos interligando nossos hospitais para aumentar o número de pessoas que poderão agendar seus exames e consultas via celular”, informa Semeghini. No Rio de Janeiro, por meio de solução desenvolvida pela Proderj (Companhia de Processamento de Dados do Rio de Janeiro), essa possibilidade também está sendo oferecida aos cidadãos.

Mas o campo de trabalho nessa área é extenso. Domingos Alves, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, se orgulha de ter participado do desenvolvimento de um aplicativo que permite gerenciar o tratamento de pacientes com tuberculose. “O que poucos sabem é que tuberculose tem cura. Mas muitos pacientes largam o tratamento ou não tomam a medicação de forma adequada e comprometem os resultados”, comenta.

O desenvolvimento do aplicativo teve financiamento do Ministério da Saúde, como parte da estratégia Dots de controle da tuberculose, sendo comandado pelo grupo de trabalho formado na Escola de Enfermagem e Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. O sistema possibilita ao agente de saúde que faz o acompanhamento do paciente ter um relato detalhado do seu histórico no dispositivo móvel, ao mesmo tempo em que alimenta o sistema com informações sobre a ingestão diária da medicação e outros dados. Essas informações são de grande importância para a continuidade do tratamento e, consequentemente, seu sucesso.

Segundo Alves, o aplicativo também pode dar referências demográficas e geográficas, permitindo, por exemplo, que seja mapeada a maior incidência de tuberculose em determinadas regiões. Os testes foram feitos com 30 pacientes do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto e há muita procura para que ele seja testado em outros laboratórios. “Só o fato de 30 pacientes não precisarem ser internados já paga todos os custos envolvidos no desenvolvimento. E ainda sobra dinheiro”, diz o professor.

Tendo entre seus principais clientes o Ministério da Previdência Social, a Dataprev está aprofundando seus estudos para ver a forma como irá atuar nesse mercado. “Nós estamos analisando quais os padrões que estão disponíveis, o que vamos usar e como isso será aplicado”, conta Edgard Prates Filho, superintendente de desenvolvimento de software da empresa.

A companhia está prestes a fechar um acordo com o INSS para desenvolver uma solução móvel de agência eletrônica. Por ser o primeiro, esse piloto deverá ter o papel de uma prova de conceito para a empresa. “Não vamos abrir várias frentes. Primeiro temos de consolidar os processos, internalizá-los e somente então pensar em outros projetos”, diz. Nos primeiros desenvolvimentos, ele não descarta a possibilidade de trabalhar com HTML 5 e JavaScript que permite ao aplicativo rodar tanto no dispositivo móvel quanto no desktop.

Paulo Coelho, presidente da Proderj e da Abep (Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Tecnologia da Informação e Comunicação), acredita que a mobilidade na área governamental tende a crescer muito nos próximos anos. Mas, por enquanto, ele tem algumas reticências sobre novos e sofisticados serviços nessa área. “Para começar a nossa base de telefones móveis é composta 80% por modelos pré-pagos e a internet móvel ainda não chega a 30% do total”, afirma.

Para ele, nesse cenário o maior aliado dos serviços móveis de governo ainda é o SMS. “O cliente não paga para receber e funciona em todos os tipos de celulares, não apenas em smartphones”, ressalta. Da parte dos órgãos de governos, é possível massificar o envio das mensagens, tornando o processo mais econômico, sem precisar se relacionar com todas as operadoras caso seja utilizado uma empresa especializada nessa área.

 

Por Wanise Ferreira

Ilustrações José Américo Gobbo

Via Wireless Mundi