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Rede Cidade Digital - Matelândia Digital: a criação de uma rede inteligente
Matelândia Digital: a criação de uma rede inteligente

Por Edelson Werlish em 13/06/2014 17:29h

Matelândia Digital: a criação de uma rede inteligente

Município de oeste paranaense é umas das cidades digitais do estado que investe na tecnologia para se conectar aos seus cidadãos

Matelândia, no oeste paranaense, é uma cidade
digital. (Foto: Panoramio)

Matelândia, município do oeste paranaense a 574 quilômetros de Curitiba, é uma Cidade Digital. Isso significa que esta é uma cidade conectada. Porém não apenas conectada à internet, mas principalmente aos seus habitantes. Desde 2012, o programa Matelândia Digital é responsável por diminuir o espaço entre a gestão pública e os moradores, trazendo maior agilidade aos serviços e ampliando a qualidade de áreas como educação e saúde.

O fato levou o município a ser integrado ao Mapa de Cidades Digitais do portal Rede Cidade Digital (RCD), que referencia, no estado do Paraná, mais de 70 outras localidades que investem em projetos de Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC). Na região, gerenciada pela Associação dos Municípios do Oeste do Paraná (AMOP), Matelândia se junta a outros grandes municípios na vanguarda de iniciativas de inclusão digital, como Toledo, Cascavel, Nova Aurora e Foz do Iguaçu. “É importante notar o progresso dos municípios do oeste paranaense, que, mesmo estando longe da capital, estão com programas bem planejados e direcionados. Matelândia Digital é um exemplo concreto disso”, observa José Marinho, diretor da RCD.  

João Carlos Varão Siqueira, analista de Suporte Técnico da Prefeitura e um dos responsáveis pelo programa Matelândia Digital, explica os benefícios atingidos: “O governo da cidade investiu na modernização dos diversos setores da administração pública, com objetivo de criar uma rede inteligente”. De acordo com Siqueira, atualmente, já é possível centralizar toda a informação, integrar os sistemas e controlar o acesso à internet. Com a implantação deste projeto, locais, como prefeitura, biblioteca pública, escolas municipais, unidades básicas de saúde, hospitais, secretarias externas e telecentros têm comunicação integrada e conexão com a internet.

Em entrevista ao portal RCD, o analista explica como funciona o programa e os benefícios que ele trouxe para Matelândia:

RCD: Fale um pouco sobre seu trabalho no programa Matelândia Digital. O que faz e como opera o sistema?

Siqueira: O Setor de Informática da Prefeitura Municipal de Matelândia possui quatro servidores públicos de carreira, são eles: João Carlos V. Siqueira, analista de Suporte Técnico, Cristian Assunção, técnico de Informática, Jhonattan Douglas Dallabrida, Eletricista de Manutenção de Informática e Jaime Catusso, Desenvolvedor Web. Desta forma, realizamos a manutenção da infraestrutura do município e seus distritos Agro Cafeeira e Vila Esmeralda.

Em especifico, a função do Analista de Suporte é manter a integridade dos computadores, servidores e seus serviços em perfeito funcionamento. Além disso, atender eficientemente toda a infraestrutura de rede, que conta com uma rede híbrida (aproximadamente 500 terminais de dados/microcomputadores), através de cabeamento estruturado no paço municipal e via rádio em departamentos/secretarias/setores externos, através de antenas de rádio frequência.

Em relação ao suporte técnico de toda essa rede, na maioria das vezes, fazemos a partir de acesso remoto (RDP), o que não há a necessidade de suporte presencial, evitando gastos nas situações de locomoção/utilização de veículos para se dirigir até o local externo.

RCD: Há quanto tempo existe o Matelândia Digital, qual foi seu prazo de implantação e quanto custou ao todo para a prefeitura?

Siqueira: O Matelândia Digital compreende 3 (três) fases: no primeiro momento a construção da Central de Processamento de Dados – CPD, consequentemente o Setor de TI, como também a interligação dos setores externos ao paço municipal através de antenas de rádio comunicação,  o que ocorreu no ano de 2010, já concluído e em utilização.

Na segunda fase o acesso à Internet aos munícipes, através do decreto lei Nº192/2012, que pode ser encontrado no endereço eletrônico http://www.matelandia.pr.gov.br/mdigital/

Esse acesso à rede mundial de computadores para a comunidade tem o objetivo de inclusão digital ao cidadão que não tem condições financeiras para pagar um provedor de Internet, se ele se enquadra nas condições estabelecidas no Decreto tem seu acesso liberado, ou seja, não é livre para qualquer cidadão. O prazo de implantação foi de 3 meses, realizada pelo Setor de Informática do município (configuração de ativos de rede e firewall), o qual possui antena wavion, controle de acesso através de mikrotic routerboard 750 e firewall (pfsense). O custo de implantação compreende apenas o da antena wavion e do routerboard.

Por último, estamos na terceira fase, que implica na instalação de fibra óptica no município, abrangendo todos os órgãos/setores diretos e indiretos da administração municipal, ainda em andamento.

RCD: Existe parceiro na manutenção do programa ou ele é todo bancado pela prefeitura?

Siqueira: Não existe parceiro, a manutenção é realizada pelo Setor de Informática do Município.

RCD: Quantas antenas para o sinal da rede possui a cidade? A rede é feita por fibra óptica?

Siqueira: A rede interna da prefeitura compreende 25 (vinte e cinco) antenas de rádio comunicação, as quais mantêm interligados os departamentos/setores da administração pública externos ao prédio sede, possibilitando o acesso à internet e serviços online às escolas, creches, postos de saúde entre outros.

Já para o acesso à Internet dos munícipes (extranet) a Prefeitura possui apenas uma antena wavion, que atende a toda população em um raio de 3 quilômetros.

RCD: Quantos habitantes utilizam o sinal de Wi-Fi gratuito atualmente e qual a sua velocidade?

Siqueira: Atualmente temos 64 (sessenta e quatro) usuários com acesso liberado, os quais podem ser vistos no site http://www.matelandia.pr.gov.br/mdigital/, a velocidade liberada para download e upload é de 512kbps respectivamente.

RCD: O que é o Projeto Talento Empreendedor?

Siqueira: O projeto Talento Empreendedor – TEM compreende uma iniciativa do governo municipal, empresas privadas e jovens/adolescentes (matriculados na universidade/faculdade) em favorecer o crescimento econômico da região. Através da Associação dos Estudantes Universitários Matelandienses (AEUMATE) e a Prefeitura Municipal de Matelândia jovens universitários recebem benefícios no transporte escolar e a oportunidade do primeiro emprego junto às empresas da região cadastradas no projeto. Para realizar o controle desse convênio, o Setor de Informática desenvolveu um sistema web para gerenciar esta proposta, o qual pode ser acessado pelo portal do município ou através do link http://www.matelandia.pr.gov.br/projetotem/.

Desta forma, o município oferece aos estudantes uma oportunidade de estágio e/ou emprego na iniciativa privada, as primeiras experiências com o mercado de trabalho.

O projeto Matelândia Digital, através do Decreto Lei Nº192/2012, autoriza o acesso gratuito à internet apenas de quem está cadastrado no projeto Talento Empreendedor – TEM (empresários e estudantes), assim como funcionários públicos.

RCD: Como o Matelândia Digital auxilia outros setores públicos, como saúde e educação?

Siqueira: Ajuda no acesso à informação. Hoje temos a empresa Consulfarma Saúde que atende o nosso município no que tange aos serviços de saúde, como prontuário eletrônico dos pacientes e todos os atendimentos realizados na unidades de saúde básica. Os médicos utilizam o sistema em qualquer unidade de saúde, pois todas possuem infraestrutura de rede e mantém comunicação direta com a nossa central de processamento de dados. Na educação não é diferente, todas as unidades escolares estão conectadas na rede, possibilitando ao professor consultar todo o acervo digital disponível, facilitando na elaboração das suas atividades escolares.

RCD: Que tipo de softwares vocês utilizam na administração pública (governo eletrônico) e quais serviços o cidadão pode realizar online?

Siqueira: Internamente utilizamos os sistemas da empresa Elotech para contabilidade, recursos humanos, financeiro e outras gestões administrativas. Já os serviços ao cidadão estão disponíveis no portal do município através do endereço www.matelandia.pr.gov.br, lá consta o portal da transparência onde o cidadão pode estar acompanhando as ações públicas, publicações do diário oficial, obras em andamento e concluídas, bem como serviços de ouvidoria, PROCON, defesa civil, programa Matelândia digital entre outros.

RCD: Na sua visão, qual a evolução que Matelândia teve com a implantação deste programa?

Siqueira: Todos ganhamos, tanto para quem está dentro da administração pública quanto fora são beneficiados. A tecnologia traz grandes benefícios à máquina pública, os sistemas que utilizamos automatizam os processos e reduzem o tempo de execução de atividades que antes eram realizadas com mais custo/tempo e a manutenção desse processo é muito mais fácil.  Os serviços são mais bem ofertados e de maneira rápida, prática e eficiente, sendo adicionados ao nosso portal e acessível em qualquer lugar do mundo. A informação está disponível em nosso portal 24h por dia, 7 dias da semana por 365 dias, ininterruptos. O cidadão pode se manter informado das iniciativas do governo, como também participa como agente ativo nesse processo, pois contribui a qualquer momento com sugestões, dúvidas e denúncias através da ouvidoria online. Com a digitalização de documentos nosso acervo não sofre com as intempéries causadas pela ação do tempo (deterioração de papel), e nossas publicações ficam dispostas por data/período, desta forma o cidadão pode procurar com facilidade pelos atos do governo e demais publicações na comodidade de sua residência.

RCD: Qual o futuro do Matelândia Digital? Será ampliado, melhorado?

Siqueira: Estamos projetando para o futuro, com a adição da fibra óptica no município, o aumento do alcance do sinal de Internet do programa Matelândia Digital, utilizando as antenas de rádio comunicação que atualmente interligam os departamentos/secretarias e demais pontos externos, pois passaríamos a utilizar a fibra óptica como meio de transmissão e os rádios poderão ser utilizados para expansão. Desta forma, com os rádios de comunicação podemos instalar torres em pontos estratégicos com a finalidade de cobrir uma área maior e incluir as regiões que possuem pontos de sombra (locais onde ocorre atenuação do sinal). A fibra óptica possibilitará uma maior velocidade de transmissão na nossa rede, bem como inclusão de serviços que hoje não podemos ofertar, tais como videoconferências e telefonia por IP (VOIP). 

Municípios da AMOP

Matelândia está inserida na Associação dos Municípios do Oeste do Paraná (AMOP). Essa associação conta com 52 cidades, onde 15 destas estão referenciadas como Cidades Digitais no Mapa das Cidades, projeto criado da Rede Cidade Digital (RCD), totalizando 18% de todas as Cidades Digitais do estado do Paraná.

Na região estão 3 cidades integrantes a primeira etapa do programa federal Cidades Digitais. Uma delas é São Miguel do Iguaçu, que recebeu na última segunda-feira (9) os cabos de fibra óptica serão utilizados na implantação da infraestrutura de rede digital do município.

O projeto permitirá que o município tenha uma rede de telecomunicações que conecte toda a administração, o que irá permitir, por exemplo, que os cidadãos realizem matrícula nas escolas públicas ou marquem consulta em postos de saúde diretamente pela internet. A cidade receberá ainda softwares para ajudar na administração pública (e-gov), vídeo de monitoramento em todos os prédios públicos e sistema inteligente de iluminação pública.

Nova Aurora, outra cidade da região oeste, também merece destaque. A cidade disponibiliza internet gratuita e já contempla mais de 900 famílias em todo o município, além de oferecer o serviço para aproximadamente 100 empresas da região. O projeto leva Wi-Fi gratuito para diversas comunidades através de pontos divididos em torres e megapostes que estão espalhados por toda a cidade e entorno, cobrindo tanta a área rural, quanto os distritos vizinhos.