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App facilita a denúncia de assédio sexual no transporte público em Fortaleza

nina

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Basta um click dentro do aplicativo da prefeitura para os passageiros denunciarem. O sistema utiliza as câmeras de monitoramento dos terminais e de dentro dos ônibus.

Em Fortaleza, quem usa o transporte público ganhou um novo aliado no combate ao assédio sexual.

Além do aperto do transporte público, o constrangimento. "Eu já presenciei e já até sofri de estar parada e a pessoa chegar e ficar do meu lado e eu ter que ficar afastando", conta Ana Talia, auxiliar de professora.

"Principalmente a famosa encoxada, né? A gente presencia bastante", revela Maria de Fátima, aprendiz.

E as reações são as mais diversas. "Chamar a atenção de alguém, do motorista, mandar parar o ônibus", exemplifica Orlana Freire, auxiliar administrativo,

"Eu, no meu caso, só fiz me afastar, fiquei querendo sair de perto. Porque você fica até sem saber o que fazer", diz Ana Talia.

Em Fortaleza, vítimas e testemunhas deste tipo de assédio sexual já têm o que fazer: basta um click dentro do aplicativo de transporte de ônibus da prefeitura para os passageiros denunciarem. É só digitar o número da linha e descrever fisicamente o suspeito. O sistema utiliza as câmeras de monitoramento dos terminais e de dentro dos ônibus.

Assim que a denúncia é feita, o sistema separa as imagens do local e do horário da ocorrência e elas ficam disponíveis numa plataforma que é acessada pelas delegacias especializadas: da Criança e do Adolescente ou de Defesa da Mulher.

O dispositivo, que pode ser acionado no momento ou depois do assédio, recebeu o nome de "Nina", em homenagem à cantora ativista americana Nina Simone. O objetivo é combater a impunidade de quem assedia e o medo de quem precisa denunciar.

“Ele é uma forma silenciosa de denunciar. Então a vítima que está numa situação de constrangimento, que não consegue chamar uma pessoa que está do lado dela. E o segundo problema que é a impunidade, porque ele gera as provas"”, explica Bianca Macedo, coordenadora do Programa de Combate ao Assédio.

Menos de um mês depois da implantação, o sistema já recebeu mais de 200 denúncias como em um vídeo em que estudantes relataram a aproximação insistente de um homem. Dezesseis casos já viraram inquéritos de "importunação sexual" - ato que se tornou crime em setembro.

“A partir do momento em que ela faz isso, faz a denúncia, nós conseguimos acessar as imagens para elucidar o crime, realmente isso colabora para que esse crime seja erradicado", diz Danielle Mendonça, delegada de Defesa da Mulher.

A Luciana não quis reagir para não causar uma confusão no ônibus lotado. Ao perceber que um homem se encostava nela, acionou a Nina e a polícia já está investigando o assediador.

"Você ali conversando como se fosse uma amiga que está a seu lado e, assim, eu me senti empoderada porque ninguém viu, mas eu estava junto com a Nina e a Nina estava ali junto comigo e eu sabia que ia ter um resultado positivo", diz Luciana Ferreira de Lima Araujo, representante de vendas.

 


Fonte: G1

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