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Cidades do RJ pagam benefícios em moeda social e estimulam o consumo local

Municípios como Niterói e Maricá, na Região Metropolitana, registram aumento nas vendas do comércio com a adoção da moeda.

moeda digital Maricá

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Municípios da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, como Maricá ou Niterói, adotaram um dinheiro que não circula em nota e, apesar de virtual, nada tem a ver com criptomoeda. A moeda social digital, utilizada nestas cidades, vale o mesmo que o real, mas só pode gastar dentro do próprio município.

"É só você chegar, fazer a compra e você usa o CPF e a sua senha. Não é uma coisa assim que dá muita dor de cabeça, entendeu?", explicou a dona de casa Ivanira Marques.

Ela é mãe de quatro filhos e abastece a casa fazendo compras no mercado do vizinho, Antonio. Ele aderiu ao programa em janeiro e se surpreendeu com o resultado.

"No primeiro dia, deu fila, tive que limitar o número de gente, habilitar três caixas e fazer um outro caixa para poder atender. Quase dobrou minha venda no primeiro dia, porque só eu aceitava", contou o comerciante Antonio Colombo Júnior.

Antonio lembra que nos primeiros dois meses as suas vendas aumentaram em 40%.

"O problema é que as pessoas não acreditavam na moeda, achavam que não ia dar certo. E também questões tecnológicas. As pessoas tinham certo receio. A gente não tinha receio algum. Implementamos no celular. Foi simples, ágil", disse.

Ivanira explica que só poder utilizar a moeda em Niterói não é problema. Com o dinheiro virtual ela compra frutas para as crianças, fraldas para o filho autista.

O sistema é descomplicado e feito com pagamento via cartão ou aplicativo.

"Eu vou no caixa, digito o CPF, a senha e acabou. Aí eu vou no aplicativo e vejo o que está restando, o que eu tenho pra gastar", disse a dona de casa Sheila Rodrigues Duarte.

A moeda social é um mecanismo de economia solidária. Pode ter origem no pagamento de um benefício social que só pode ser usado em compras no comércio local cadastrado.

A Prefeitura de Niterói, por exemplo, lançou uma experiência desse tipo no início de 2022. A moeda própria ganhou o nome de arariboia.

A moeda está sendo depositada a 30 mil famílias de baixa renda que recebem entre R$ 250 e R$ 700 por mês, dependendo do número de pessoas na família.

O secretário municipal de Assistência Social e Economia Solidária de Niterói, Helton Teixeira contou que a prefeitura priorizou o cadastramento nas comunidades da cidade e nos bairros mais empobrecidos.

"Então, você tem desde pequenos mercados, prestadores de serviço, de diversos serviços. Você tem comércio regularizado, micro empreendedores que são pequenos empresários".

Moeda Social em Maricá
A moeda social chegou ao comércio popular no Centro da cidade de Niterói. São barracas de vendedores ambulantes que aceitam a moeda.

Em uma delas, que vende açaí, o dono conta que as vendas aumentaram desde que fez o cadastramento no início de 2022. Segundo ele, a adoção da moeda faz diferença em seu dia a dia.

"Um aumento em torno de 20% no total das vendas, que no final dá uma grande diferença para o comercio. O pessoal ainda não conhece muito, como funciona o aplicativo, a moeda social. Eu já conhecia porque eu tenho parente em Maricá", disse o vendedor Leonardo.

Maricá tem moeda social há oito anos. A mumbuca, como é chamada, é aceita por quase 11 mil comerciantes e prestadores de serviço.

O nome é uma referência ao primeiro bairro onde foi implantado um programa municipal de transferência de renda, vinculado à moeda própria. Atualmente, a moeda social é paga a 42 mil pessoas com recursos dos royalties do petróleo, assim como em Niterói.

Meirici de Paula conta que a moeda não se limita à compra de alimentos, mas também, de medicamentos.

As moedas sociais não concorrem com o real. Elas são atreladas à ele. Por exemplo, uma mumbuca vale R$ 1.

O Banco Central autoriza a emissão de moedas sociais através de bancos comunitários. Atualmente, existem cerca de 150 deles no Brasil. São organizações da sociedade civil, sem fins lucrativos e autossustentáveis com a circulação da moeda.

Todas as instituições precisam estar vinculadas a um banco público e associadas à rede que desenvolve plataformas para as operações bancárias.

De acordo com as regras, quem recebe o benefício não pode sacar dinheiro. Já os comerciantes podem trocar a moeda social por real, mas quanto menos isso acontecer, mas a moeda social ganha força.

O banco Mumbuca tem 65 mil clientes, o que representa quase 40% da população de Maricá. As linhas de crédito ajudam a atrair novos correntistas e são financiadas com a taxa de administração que os comerciantes pagam a cada transação, sendo em percentuais mais baixos do que em operações com cartões convencionais.

Agora, a mumbuca chegou aos servidores municipais de Maricá. O secretário de Economia Solidária de Maricá, Adauto da Motta Mendonça explica o crescimento da utilização da mumbuca na cidade.

"Ele tem um cenário muito vasto de clientela que não restringe somente aos beneficiários. A gente tem correntistas que são pessoas que abrem suas contas e deposita em real para ter suas mumbucas. A gente tem os comerciantes que aceitam as bocas dos correntistas e dos beneficiários. A gente tem folhas de pagamento por mumbuca, ou seja, temos pessoas que recebem seus salários integralmente em mumbuca e vale alimentação"

O auxílio alimentação atinge a cerca de 5.800 servidores públicos e de autarquias. O valor do auxílio é de R$ 650.

Além de Maricá e Niterói, outros municípios lançaram moedas sociais:

Cabo Frio - Itajuru
Porciúncula - Elefantina
Itaboraí - Pedra Bonita
Saquarema - Saquá
Petrópolis, na Região Serrana, tem um projeto de moeda social para pessoas atingidas pelas chuvas.

Autor: Guilherme Boisson e Larissa Schmidt, RJ2
Fonte: G1

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