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Cidades inteligentes: modelos de gestão aumentam desempenho

Especialista analisa estratégias que comparam a condução de empresas às de cidades cearenses e aponta saídas para que os municípios atinjam eficiência tão satisfatória quanto grandes grupos empresariais

Diário do Nordeste

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Toda a intervenção do espaço precisa ser debatida para ser abraçada pelo cidadão, segundo observa o especialista? Foto: Paulo Alberto

Comparada muitas vezes a uma empresa, a gerência das cidades tem seguido o modelo de administração empresarial. Apesar da comparação frequente, as diferenças entre os dois sistemas tornam ineficiente a gestão adotada pelos municípios, que têm passado por dificuldades para cumprir os compromissos básicos diante do cenário econômico. A conclusão é do coordenador dos laboratórios de Administração Pública e de Gestão Inteligente de Cidades da Universidade Estadual do Ceará (Uece), Hermano Carvalho, que, após pesquisar o tema, concluiu que há estratégias para tornar o município tão eficiente economicamente quanto uma empresa.

"Olhando para a cidade, identificamos cinco pilares que tornariam a gestão mais eficiente. Chamamos de modelo EECIO, em que é preciso entender, estimular, compartilhar, interagir e observar a cidade. Com essas cinco medidas, você consegue tomar decisões mais assertivas e melhorar até mesmo a eficiência dos investimentos públicos", ressalta Carvalho, que apresentou a ideia no livro Gestão De Cidades - Construindo Uma Nova Abordagem.

O pesquisador conta ainda que, para pesquisar esse tema, não recorreu às prefeituras e preferiu ir "direto para a cidade". "Encontramos nas cidades uma complexidade muito grande, muito diferente do que se pensa de uma empresa", afirma.

Ele exemplifica que a Fortaleza da Aldeota é bem diferente da Fortaleza do Bom Jardim, do Pirambu, de Pedras. "São completamente diferentes. Então, a assimetria é muito grande. É uma coisa complexa", aponta Carvalho.

Participação

Neste modelo de desenvolver melhor o progresso da cidade, o professor aponta a necessidade de envolver o cidadão para as discussões que regem o cotidiano do município. "A participação do cidadão é importantíssima, porque ele é o dono da cidade. É preciso interação direta com a comunidade de diversas formas, sem ser só por reuniões, tem que ser no dia a dia, e já existem sistemas para isso. Nos últimos tempos, tem-se discutido só o urbano, o lado físico, e esquecemos do cidadão", alerta Hermano Carvalho.

O modelo defendido por ele foi testado por três anos em Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza, onde a teoria se fortaleceu.

"Nós temos uma visão muito de cima para baixo da interação, mas é o contrário, de baixo para cima. Precisa haver pesquisa para entender cada ponto da cidade. Um projeto falha porque a gestão adotou outro entendimento do local. Às vezes, constrói uma simples praça, e a população quebra, porque não houve discussão. São recursos gastos, desperdiçados, porque não geram valor naquele local. Quando o poder público chega colocando o projeto lá, está agredindo aquele espaço", finaliza Carvalho.



 


Fonte: Diário do Nordeste

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