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Cultura de Inovação - uma Missão Técnica no Vale do Silício (Parte II)

Tiago Ferro Pavan*

Vale do Silício

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Na primeira parte do artigo (clique aqui), fiz questão de contextualizar o que o Vale do Silício representa para o mundo hoje em dia. Nesta segunda etapa, a intenção é comentar sobre algumas características que fazem do vale este lugar diferenciado, partindo do meu ponto de vista vivenciado durante a missão técnica no Vale do Silício.

Um dos primeiros pontos a se destacar, é o ecossistema, falar em ecossistema de empreendedorismo e inovação é falar de um sistema complexo, composto por um conjunto de atores com papéis e motivações específicas, dos quais podemos citar: Empreendedores; Startups; Instituições de ensino; Governo; Investidores; Incubadoras e Aceleradoras.

No Vale do Silício, todos estes atores, interagem entre si, de forma colaborativa, para o desenvolvimento de inovações e negócios de alto impacto, gerando a retroalimentação de todo ecossistema. E por ser um chamariz de empreendedores do mundo todo, no vale, encontramos um ecossistema rico, no qual é possível perceber que a região apresenta uma imensa diversidade cultural, contribuindo no intercâmbio de experiências, ideias e aprendizados entre os profissionais vindos do mundo todo para atuarem em empresas do vale, fazendo com que este pluralismo cultural, de pessoas e ideias, faça surgir um ambiente propício para fomentar ainda mais ideias inovadoras de impacto global.

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Estima-se que mais de 30% da população do Vale do Silício seja composta por imigrantes, vindos de todos os lugares do mundo.

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E por falar em cultura, é possível ainda citar a Cultura do Aprendizado, pois é uma das coisas que mais chamam atenção no vale, onde há uma mudança de mentalidade relacionada a educação, sendo considerada como uma das maiores e mais eficientes ferramentas de transformação, permitindo o desenvolvimento de competências humanas para enfrentar um mundo de possibilidades e novas profissões, além disso, o investimento nas relações humanas, ética, humanização e responsabilidade estão entre os pilares fundamentais intrínsecos na cultura das empresas do Vale do Silício. Além disso, destaco também a Cultura do Inconformismo, que leva as pessoas a pensarem que tudo que já existe pode ser feito de uma forma melhor, mais inteligente e que todos os serviços podem evoluir para algo menos complexo e com foco no futuro.

Aprendizado e inconformismo, são ingredientes muito importantes no ecossistema do Vale do Silício, mas eu ressaltaria ainda, o aprendizado por meio do Erro.

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“Falhar é uma opção aqui [Vale do Silício]. Se as coisas não estão dando errado, você não está inovando o suficiente!” (Elon Musk)

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Sempre fomos ensinados a evitar o erro, então, pensar na possibilidade de errar é praticamente inadmissível, mas, vivenciando o dia a dia do vale, percebemos que não é feio errar, na verdade falhar é um degrau importante na escada que leva ao sucesso, pois a cada vez que você erra, você está mais forte e mais preparado. As pessoas com maior sucesso no Vale do Silício são pessoas que em algum momento já erraram, falharam (ou até mais vezes, ou melhor, muitas vezes), estas pessoas demonstram maior poder de reação, resiliência, perseverança e, principalmente, comprometimento com o resultado, características muito procuradas neste meio. Entretanto, o fato é, não se deve errar por errar, é preciso errar rápido, pois errar rápido é mais barato. É melhor falhar no início da execução do projeto do que ter o produto pronto e só então perceber que ele não é bom.

Outro aspecto que chama muita atenção, é o networking, que acontece com muita intensidade na região do vale. Há um pensamento difundido por lá de que existem 3 (três) tipos de pessoas que você pode encontrar na região, um empreendedor com uma boa ideia, um investidor buscando por uma boa ideia ou um desenvolvedor de softwares capaz de transformar uma ideia em uma solução. Ou seja, não há um café que você tome sem que algum tipo de interação aconteça, algum conhecimento seja absorvido e uma conexão seja realizada. Confesso que no começo me assustei, sentava-me em uma mesa para tomar um café e logo algum desconhecido sentava-se junto e iniciava uma conversa. Isso me fez refletir o quanto precisamos estar abertos a todo instante para possibilitar conversas e socializações, até mesmo nos mais inesperados locais e o quanto isso pode nos oportunizar crescimento. 

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A chave então é pensar: Como você está se relacionando com as pessoas e formando uma rede de conexões?

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Gosto de evidenciar também o contexto da transformação digital. Muito se fala em transformação digital e isso ficou ainda mais evidenciado durante a pandemia. Sempre associamos o tema simplesmente a um esforço de TI, porém, a transformação digital não é um conceito para o futuro, e sim algo pelo qual as organizações de hoje têm de dar o máximo de atenção para alcançar os resultados que almejam. No Vale do Silício é possível perceber a busca das empresas no entendimento da transformação digital, o seu impacto na sociedade e sua aplicação nos negócios, criando uma cultura voltada ao cliente, que busca incansavelmente colocar as pessoas no centro da transformação digital. Nos fazendo refletir em:

  • Como a gente otimiza o nosso negócio?
  • Como colocamos nosso cliente no centro de nossos negócios?
  • Como criamos valor para o cliente de novas maneiras?

Ainda neste contexto, destaco a importância dos produtos serem construídos não mais PARA os clientes, e sim, COM os clientes, levando-se em consideração tendências como Design Thinking e User Experience (UX), buscando desenvolver realmente soluções para os problemas encontrados pelos clientes e que ainda possam gerar conforto e comodidade. O foco precisa estar nas necessidades do cliente e não no produto em si. É o produto que deve se adequar ao consumidor e não o contrário.

São muitos os aspectos que nos levam a reflexão a partir da análise de como se comporta o ecossistema do Vale do Silício, mas o fato é, que não é porque as coisas lá dão certo que elas poderiam se repetir aqui, afinal, é preciso respeitar as particularidades de cada região, o bom e velho CTRL + C e CTRL + V não ajudariam aqui, é preciso ter um pensamento regional, refletir principalmente sobre:

  • Qual a vocação da nossa região?
  • E neste cenário, quais competências e/ou participação da Gestão Pública?

Esta foi a parte II do artigo: “Cultura de Inovação - uma Missão Técnica no Vale do Silício”, baseada em minha experiência pessoal e profissional vivenciada in loco em uma imersão no Vale do Silício. Teremos ainda uma parte III, onde comentarei um pouco sobre cada visita realizada, em empresas e instituições que são referência no Vale do Silício, refletindo sobre o que mais chamou atenção durante as visitas.

Tiago Ferro Pavan*, Graduado em Gestão da Tecnologia da Informação, FACULDADE SENAC/SC. Especialista em Governança de TI, FACULDADE SENAC/SC. MBA em Gestão do Conhecimento nas Organizações, UNICESUMAR. Professor de graduação e pós-graduação. Certificate international IT Management Principles. Membro da ANPPD®. Diretor de Tecnologia da Informação da Prefeitura Municipal de Criciúma/SC.

 

Foto Vale do Silício: reprodução


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