Ir para conteúdo

Os desafios da educação pública na pandemia e iniciativas governamentais para a retomada do ensino no Brasil

Por Ana Carolina Costa Lacerda*

educação digital pandemia

OUÇA O ÁUDIO

A educação foi um dos diversos setores diretamente impactados pela pandemia do coronavírus, que mudou a realidade de tudo e todos em março de 2020. A vivência das salas de aulas tiveram que ser interrompidas, ocasionando, num primeiro momento a descontinuidade no ensino de milhares de alunos no Brasil e no mundo. Sem previsão quanto ao retorno da normalidade das aulas presenciais, muitos países - inclusive o Brasil - adotaram como estratégia o ensino remoto. 

Logo em abril de 2020, o Conselho Nacional de Educação (CNE) autorizou, em parecer, a oferta de atividades não presenciais em todas as etapas de ensino, desde a educação infantil até o ensino superior, inicialmente até dezembro de 2021. Em dezembro de 2020, o Ministério da Educação (MEC) validou a resolução do CNE e retirou a data limite para validade da modalidade remota, e tornou-a válida para enquanto durar a pandemia.

Mas no Brasil, a pandemia deixou ainda mais evidente o abismo social, e consequentemente educacional, existente entre o ensino privado e o público. Segundo o estudo "Acesso Domiciliar à Internet e Ensino Remoto Durante a Pandemia", feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), cerca de seis milhões de estudantes, desde a pré-escola até a pós-graduação, não têm acesso à internet. Desses, 5,8 milhões são alunos de instituições públicas de ensino. 

A missão dos gestores públicos está sendo no sentido de promover a inclusão social aos alunos da rede pública de ensino, disponibilizando acesso à internet, combinado à doação/aquisição de aparelhos, junto à contratação de ferramentas tecnológicas pensadas para o ensino remoto de qualidade. Como pilar da transformação social e direito de todos segundo o Estatuto da Criança e Adolescente, a educação básica de qualidade deve ser uma das prioridades em todos os municípios, para a continuidade da capacitação da sociedade que luta por um futuro melhor e mais igualitário dentro de suas realidades.

É o exemplo do Governo de Pernambuco, que disponibilizou em agosto de 2020 internet gratuita a cerca de 500 mil alunos de escolas públicas estaduais através do Programa "Conecta Aí", que funciona por meio de patrocínio de pacotes de dados de internet para acesso gratuito.

Já da capital Catarinense, surge um grande exemplo de inclusão digital promovido pela gestão pública. A prefeitura de Florianópolis doou chips com 20GB de internet por mês para 35 mil estudantes da rede municipal de ensino. A distribuição aconteceu em fevereiro de 2021 e contemplou 100% dos alunos das escolas públicas municipais. 

A prefeitura de Recife, por sua vez, também se mobilizou para promover a inclusão digital dos alunos dos anos finais do ensino fundamental da rede pública municipal. A campanha chamada Escola do Futuro em Casa, cujo slogan é: “Doe um celular. Doe conhecimento” teve como objetivo a arrecadação de smartphones por parte da população para os alunos mais carentes e sem acesso à tecnologia e internet necessários para o ensino remoto. Os celulares recebidos ganharam chips com pacotes de dados disponibilizados pela prefeitura, e foram entregues para os alunos entre o 6º e o 9º ano. 

Em Guaporé/RS, para que todos os estudantes possam ter acesso à plataforma virtual para as aulas virtuais,, foram realizados investimentos na aquisição de notebooks e reforço no sinal de internet para os laboratórios de informática “Na primeira etapa de implantação, as escolas realizaram um levantamento das famílias que não têm acesso à internet e que poderão utilizar os equipamentos na escola.” conta a Secretária de Educação do Município de Guaporé, Veridiana Maria Tonini.

A contratação de produtos tecnológicos voltados à educação e adequados à realidade dos alunos da rede pública de ensino se mostra essencial para continuidade das atividades curriculares por mais um ano letivo. Plataformas com armazenamento em nuvem, que não consomem memória nos aparelhos e que necessitam de baixo pacote de dados buscam nivelar o acesso à tecnologia para os alunos mais carentes.

A questão do armazenamento em nuvem, inclusive, é essencial para as estratégias de inclusão digital. Afinal, celulares mais simples não têm tanta capacidade de memória, e podem ficar facilmente sobrecarregados de materiais se a armazenagem for no próprio aparelho, dificultaria muito o uso para as aulas online. Outras funcionalidades específicas como a comunicação moderada entre professores, alunos, pais/ responsáveis, ambiente para aulas virtuais, gravação das aulas para visualização posterior, comprovação da frequência escolar, diretório de conteúdos organizados por disciplinas, provas online, grupos de responsáveis e/ou alunos de forma moderada.

Ana Carolina Costa Lacerda* é formada em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Santa Catarina e pós-graduada em Marketing Digital pela Faculdade Senac Florianópolis. Atua como Hunter de Negócios do Setor Público e Parcerias da ClipEscola

 

 

Foto/divulgação (Créditos Wendel Rudolfo)

Autor: Ana Carolina Costa Lacerda

COMPARTILHE

Rede Cidade Digital

Rua Marechal Deodoro 252 - Centro

CEP: 80.010-010

Telefone: (41)3015-6812

caracteres restantes