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Pandemia reforça necessidade de mais investimento em tecnologia nas cidades

Período levanta debate sobre as smart cities e evoca entendimento para a formulação de políticas relacionadas ao tema

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Com a pandemia do novo coronavírus, o termo tecnologia passou a integrar rodas de discussões dos mais variados segmentos. No setor público, não foi diferente. A necessidade de respostas rápidas para evitar a disseminação da Covid-19 nas cidades e contornar as disparidades evidenciadas exigiu que a Tecnologia da Informação fizesse parte das soluções propostas para o período.

Em seu estudo sobre a utilização de ferramentas digitais pela administração pública das 100 maiores cidades do Brasil durante a pandemia, Tharsila Fariniuk, doutora em Gestão Urbana pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), comprova a resposta à situação pandêmica. A pesquisa indicou a adoção desses recursos em 83% dos municípios analisados, com mais de 198 estratégias digitais diferentes.

De acordo com Fabrício Zanini, diretor-presidente do Instituto das Cidades Inteligentes (ICI), o investimento em novas ferramentas de comunicação e a alta demanda por profissionais da área de tecnologia são os focos do momento. “Um grande exemplo nas cidades foi a necessidade de geração de conteúdos e a gestão da rede municipal de ensino. Este serviço essencial sofreu grandes mudanças e ainda busca um ponto de equilíbrio para enfrentar o momento que estamos vivendo”, afirma.

Um termo, diferentes concepções

O emprego de ferramentas digitais no cotidiano das cidades abre espaço para o debate em torno das smart cities. O conceito, sem um consenso entre pesquisadores da área, costuma designar as localidades que associam recursos para automatizar e otimizar sistemas e serviços públicos.

Apesar do ferramental ser importante na concepção de uma cidade inteligente, ele não é o único fator considerado. José Marinho, diretor da Rede Cidade Digital, avalia que as nomenclaturas confundem as pessoas e devem ser compreendidas para além de um recurso, já que servem de base para o entendimento de conceituações mais amplas.

“Se uma cidade (quer) se tornar digital e conectada e não tiver uma infraestrutura básica de rede, não será possível, dentro dessa concepção maior que se formou mundialmente a uma smart city. (...) Por exemplo, a aplicação de uma inteligência dentro de uma cidade não existe se não há conectividade e uma rede”, destaca Marinho.

Em busca de um entendimento comum

No contexto brasileiro, uma das soluções apresentadas para adaptar o conceito à realidade do país está na Carta Brasileira para Cidades Inteligentes. O documento, elaborado desde agosto de 2019 com a participação de diferentes setores da sociedade, visa servir de alicerce para a formulação de políticas relativas ao tema e disponibilizar uma estrutura de indexação das iniciativas.

A partir dele, entende-se que cidades inteligentes brasileiras estão comprometidas com o desenvolvimento urbano e a transformação digital sustentáveis, tanto em termos econômicos quanto em ambientais e socioculturais. É preciso, também, que utilizem tecnologias para solucionar problemas, desenvolver oportunidades, oferecer serviços eficientes, reduzir as desigualdades, aumentar a resiliência e melhorar a qualidade de vida das pessoas.

Marinho acredita que este é um passo importante para a universalização de um conceito. “Ela normatiza no sentido de apresentar possibilidades, requisitos e princípios para se buscar a implantação. Acaba sendo um modelo justamente porque cada instituição traz conceituações de cidades digitais e inteligentes, a partir de seus próprios requisitos e indicadores para isso. (...) Acho que a carta pode apresentar um avanço bem grande, desde que chegue efetivamente nos gestores”, avalia.  

Destaque fora do Brasil

Uma das cidades brasileiras que se sobressaem pelo investimento contínuo em políticas que incorporam a tecnologia é Curitiba. A capital paranaense integra diversos rankings, como o da Intelligent Community Forum (ICF), que a coloca como uma das 21 cidades mais inteligentes do mundo.

De acordo com o diretor-presidente do ICI, os investimentos na área iniciaram na década de 1990. Em um primeiro momento, sistemas integrados de gestão foram disponibilizados para que fosse possível oferecer, posteriormente, rede e dispositivos conectados. “Essa visão de futuro e o forte planejamento possibilitaram à capital paranaense uma evolução gradativa ao longo dos anos”, relata Zanini.

A evolução dos processos tecnológicos em Curitiba pode ser percebida, principalmente, a partir da Central de Atendimento e Informações 156. O canal, que permite integrar informações, solicitações e serviços ao município, tornou-se o primeiro call center público totalmente digital.

Nos últimos anos, a plataforma recebeu diversas atualizações. “Hoje, há uma área exclusiva para o cidadão no portal e chat humano e automatizado. A mais recente inovação veio com o lançamento do aplicativo mobile, nas plataformas Android e iOS, em 2019”, complementa Zanini.

Foto: Divulgação

 

 

 


Fonte: IT4CIO

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